Texto por Colaborador: A. Rother 20/10/2026 - 02:00

Francesco Totti voltou a falar sobre a possibilidade de retornar à Roma e deixou claro que continua disposto a ajudar o clube, desde que tenha uma função ligada ao futebol. Em entrevista ao Corriere della Sera, o ex-capitão giallorosso relembrou sua trajetória, abordou os conflitos com Luciano Spalletti, explicou por que recusou o Real Madrid e revelou as dificuldades enfrentadas após encerrar a carreira.

“A Roma foi, é e sempre será tudo para mim. É minha segunda pele, talvez até a primeira. Voltar para a Roma? Nunca diga nunca”, afirmou Totti, reforçando a ligação com o clube pelo qual construiu toda a sua carreira profissional.

O ídolo também elogiou o trabalho de Gian Piero Gasperini, atual treinador da equipe. Na avaliação do ex-jogador, o técnico conseguiu conquistar a torcida ao construir um grupo unido e sólido, com vontade de mostrar seu valor e brigar por vitórias.

“Tenho uma opinião maravilhosa sobre ele. Ele conseguiu conquistar o coração dos torcedores da Roma, construindo um time unido e sólido, com muita vontade de provar seu valor e vencer. Quando alguém como ele está no comando, tudo é possível”, declarou.

Apesar de manter as portas abertas para um retorno, Totti deixou claro que não aceitaria um cargo meramente simbólico. Durante a gestão de James Pallotta, ele rescindiu os últimos três anos e meio de seu contrato porque não queria ser apenas uma figura representativa.

“Parecia-me natural que alguém como eu estivesse envolvido na área técnica”, explicou. Segundo ele, durante sua passagem pela direção da Roma, era chamado principalmente quando surgiam problemas, embora desejasse participar efetivamente do projeto esportivo.

“Se precisarem do meu conhecimento de futebol, estou aqui”, afirmou Totti, que também pretende celebrar o centenário do clube ao lado dos torcedores romanistas.

A entrevista ainda trouxe lembranças do relacionamento com Luciano Spalletti. Totti negou que os dois tenham restabelecido plenamente a antiga proximidade, apesar de terem participado juntos de um comercial. O ex-capitão afirmou que a relação entre eles ia além do futebol, mas que os atritos surgidos no último ano de convivência teriam sido alimentados por pessoas dentro do clube.

“Algumas pessoas o convenceram de que eu estava tramando para demiti-lo. Mas o oposto é verdadeiro”, disse Totti, acrescentando que Spalletti chegou a permitir que ele jogasse mesmo sem estar em plenas condições físicas.

Outro assunto abordado foi a proposta do Real Madrid, recusada em 2004. Na época, o clube espanhol reunia nomes como David Beckham e Zinedine Zidane. Totti reconheceu que ficou um pouco decepcionado por não ter aceitado a transferência, mas não se arrepende da decisão.

“Eu teria ganhado tudo. Talvez até a Bola de Ouro. Mas as coisas aconteceram como aconteceram. Lá também, tomamos a decisão juntos, meu coração e eu. E nos sentimos da mesma forma”, recordou.

O ex-jogador também revelou que abriu mão de receber seu salário durante vários meses em um período de dificuldades financeiras da Roma, durante a presidência de Franco Sensi. Segundo Totti, o objetivo era ajudar os funcionários do clube, que enfrentavam uma situação mais delicada.

A despedida dos gramados, em 2017, também deixou marcas profundas. Totti descreveu o encerramento da carreira como um momento de celebração e, ao mesmo tempo, de grande melancolia. Sem o futebol, teve dificuldade para encontrar sentido na rotina e admitiu que quase entrou em depressão.

“Eu não estava preparado; de repente, o chão sumiu debaixo dos meus pés”, relatou. Ele também contou que enfrentou um quadro grave de Covid-19, com broncopneumonia, febre persistente e saturação de oxigênio em 87%, chegando perto de ser internado.

Ao recordar os momentos mais felizes de sua vida, porém, Totti não escolheu o título italiano conquistado pela Roma nem a Copa do Mundo de 2006 com a seleção italiana. Para ele, a maior emoção veio com o nascimento do filho Cristian.

“Quando o segurei nos braços, entendi o significado da felicidade”, concluiu.

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