Texto por Colaborador: A. Rother 16/10/2026 - 05:00

A incrível (mas verdadeira) virada do Real Madrid no Olímpico rende debate desde a noite de quarta-feira. A discussão é interminável e se estende a vários temas, tratados no passado, no verão e também recentemente. Independentemente do evidente valor técnico do grupo de Mourinho, mais de um aspecto parece dar sentido ao colapso final da Roma, que sofreu três gols nos últimos 8 minutos da partida (antes mesmo do acréscimo) e selou a dolorosa derrota dos giallorossi, a primeira na temporada.

Na longa lista de possíveis motivos, há de tudo um pouco: desfalques desde o início, lesões ao longo do jogo, elenco curto, substituições pouco eficazes, cansaço da partida contra o Como (disputada com um jogador a menos durante boa parte do segundo tempo) e falhas individuais. Ou, como lembrou também Gasperini, os três escanteios que viraram três gols da reação madridista. Tudo bem, qualquer versão é aceitável, até mais de uma. Falta, porém, a explicação mais clara e, ao mesmo tempo, vistos os precedentes, a mais perigosa.

"Travamos na linha de chegada." O comentário a quente de Gian Piero é sintético, mas inequívoco. A Roma parou justamente na melhor hora. A cabeça pesou mais do que o esforço das pernas e anulou uma atuação suntuosa dos giallorossi, agressivos, propositivos e por momentos espetaculares, que se tornou inútil pelo que se viu a partir do minuto 37 do segundo tempo. Espì, autor do segundo dos três gols, colocou de joelhos até os mais fiéis de Gasp. Foi um apagão mental, e não físico, como fez questão de ressaltar José, esperto e implacável na hora de chegar ao objetivo.

Para decifrar o desequilíbrio nos três gols sofridos, Gasperini voltou ao primeiro tempo, quando a Roma nunca sofreu nos escanteios (fez questão de precisar o treinador). "Depois sofremos três gols, com a defesa postada. Vi silhuetas passivas na área." A frase mais significativa, porém, é outra: "Quando o nível sobe, dá um pouco de 'braccino' na gente. Precisamos crescer na mentalidade, é preciso dar um passo".

O tal "braccino", como costuma acontecer com tenistas que travam no momento crucial da partida, a um passo da vitória. O bloqueio é psicológico e, por consequência, também muscular, e tira o atleta de cena. Com os giallorossi isso já havia acontecido, justamente com Gian Piero no banco, antes do Real. Em plena disputa por uma vaga na Champions, a Roma foi alcançada em casa pela Juve, que até ali estava nas cordas: de 3 a 1 para 3 a 3, com gol de empate de Gatti no último lance e também de bola parada. E, antes da parada para as seleções, de novo no Olímpico, foi a vez da Inter, que havia sido atropelada no primeiro tempo: de 2 a 0 para 2 a 2. Ou seja, por três vezes dois gols de vantagem não bastaram contra três grandes. Sempre vulneráveis. Reincidentes, portanto.

E, falando em passo, no sábado a Roma recebe o Genoa de De Rossi, cansada pelo esforço contra o Real e traumatizada pela virada de Mou. Resta ver como vai reagir, levando em conta que cinco titulares ficarão de fora: os lesionados Svilar, Cristante, Koné e Dybala, além do suspenso Malen. E o número de jogadores de linha à disposição será cada vez menor: 16. O elenco, portanto, está no limite do mínimo.

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