Texto por Colaborador: A. Rother 15/05/2026 - 01:00

Em entrevista ao Gasport, o ex-zagueiro Aldair falou sobre sua trajetória pela Roma — treze anos que ele considera os mais marcantes de toda a carreira. Segundo ele, foram necessários pelo menos três anos para entender a dimensão do clube e do que significava ser ídolo para a torcida giallorossa. Os primeiros cinco meses não foram fáceis.

"Roma é tão grande, tão imensa, que para entender certas coisas levei pelo menos três anos. Os primeiros cinco meses, aliás, não foram simples, demorei um pouco para me adaptar. Na época era um futebol diferente, só três estrangeiros e todos os outros italianos. Cheguei com Bianchi, Dino Viola e Mascetti, depois de perder a final da Champions, e quem me ajudou muito a me integrar foram Giannini, Nela e Tempestilli. Mas a Roma esperava ter contratado um marcador, enquanto eu gostava de sair jogando. Joguei assim desde pequeno, até na Seleção devo ter deixado alguns treinadores 'loucos'", contou.

Sobre os bastidores, Aldair revelou que raramente entrava em conflito com os companheiros — mas que com Giannini houve atritos, já que o meia não gostava da forma como ele lançava a bola pelo lado externo. Com os treinadores, a relação também rendeu histórias: Boskov o chamava de "lourinho", sem motivo aparente. Já com Zeman, desmentiu os rumores de brigas.

"Com Zeman não é verdade que brigávamos. Simplesmente ele queria que eu jogasse alguns metros mais à frente e eu queria alguns metros mais atrás. Dele lembro do grande esforço nos treinos de pré-temporada: para mim, o treinamento é com bola, não sem ela. Digamos que do futebol sinto falta do vestiário, não das pré-temporadas", disse.

Aldair também confirmou que a Lazio tentou contratá-lo. Craignotti o queria, e uma proposta chegou a ser feita — mas ele recusou sem hesitar, assim como recusou ofertas de outros clubes. "Não cheguei a correr risco, porque nunca poderia trair a Roma", afirmou.

Sobre os derbys mais marcantes da carreira, o ex-zagueiro elegeu o 3 a 0 com Mazzzone no banco como o mais bonito. O pior período foi quando a Roma perdeu quatro clássicos seguidos, embora ele tenha disputado apenas um deles. Ao ser perguntado sobre qual atacante da Lazio era o mais difícil de marcar, a resposta foi imediata: "Diria Boksic: ele me deixava de cabeça virada".

Por fim, Aldair avaliou o momento atual da Roma. Para ele, o time tem um bom treinador, ainda que Gasperini tenha esperado por alguns reforços que chegaram tarde demais. Ele comparou a situação ao primeiro ano de Capello no comando, quando o time também enfrentou dificuldades antes de se reforçar com Batistuta, Samuel e Emerson e conquistar o campeonato italiano. "Também Capello no primeiro ano teve dificuldades, depois com contratações como as de Batistuta, Samuel e Emerson o time melhorou e ganhou o scudetto", lembrou.

Categorias

Ver todas categorias

Você aprova a escolha de Gasperini para comandar a Roma?

Sim

Votar

Não

Votar

165 pessoas já votaram