Texto por Colaborador: A. Rother 07/11/2026 - 19:57

Gian Piero Gasperini não escondeu a ambição da Roma na briga pelo título do Campeonato Italiano. Após a vitória sobre o Sassuolo, o treinador foi questionado sobre a possibilidade de terminar a temporada na segunda colocação e deixou claro que não pretende estabelecer limites para a equipe na disputa pelo Scudetto. Embora reconheça o favoritismo da Inter, o comandante acredita que os giallorossi podem competir com qualquer adversário.

“Não, não sei. É muito bom disputar este campeonato. Não podemos criar ilusões, mas também não devemos ficar decepcionados, principalmente considerando o caminho que estamos percorrendo. A Inter é a equipe mais provável, mas, tirando isso, podemos competir com qualquer adversário. Se quiserem, também colocaria a Lazio nessa disputa. Caso a Inter cometa alguns erros, qualquer um poderá brigar. Não olhamos para os outros, eles não nos interessam. Vamos permanecer em nossos poleiros, como corujas”, brincou Gasperini.

A declaração reforça a disposição do treinador de manter a Roma na disputa pelas primeiras posições, sem transformar o favoritismo de outros clubes em uma limitação para suas próprias ambições. Gasperini também destacou que o time vem apresentando sinais positivos, com evolução coletiva e diferentes jogadores participando da produção ofensiva.

Em entrevista à Sky Sport, o técnico elogiou as atuações individuais na vitória sobre o Sassuolo e ressaltou a qualidade demonstrada pela equipe diante de uma defesa bastante fechada.

“Balerdi também jogou bem em Manchester. Tivemos muitas atuações notáveis nesta noite. Hermoso marcou um golaço para abrir o placar. Não foi fácil, porque eles fecharam bastante a defesa, mas conseguimos jogar com qualidade”, afirmou.

O comandante também foi questionado sobre as derrotas recentes para Real Madrid e Manchester United na Liga dos Campeões. Para ele, os resultados precisam ser avaliados levando em consideração o nível dos adversários e o desempenho apresentado pela Roma.

“Existem derrotas e derrotas. Perdemos para Real Madrid e Manchester United, tivemos uma sequência de vitórias, depois empatamos e voltamos a vencer no campeonato. As derrotas doem porque acontecem no fim, mas foram partidas de alto nível contra equipes de ponta”, explicou.

Gasperini ainda destacou a variedade de jogadores que vêm contribuindo ofensivamente. Segundo o treinador, a equipe ganhou confiança e clareza na construção das jogadas, o que tem facilitado a produção de gols.

“Estamos trabalhando os gols de uma maneira diferente, com muitos jogadores participando. Ganhamos confiança e clareza. O gol de Hermoso é característico de um atacante de qualidade. Soulé teve uma atuação extraordinária. Temos um talento especial para marcar gols, inclusive nas derrotas. Este time apresenta confirmações, não respostas, e ainda assim pode perder. Em Manchester, tivemos um episódio infeliz com Balerdi, e a partida começou com um pênalti absurdo. Isso precisa ser dito”, declarou.

### Gasperini destaca personalidade da Roma e comenta calendário

Em entrevista à DAZN, Gasperini voltou a demonstrar satisfação com o resultado e aproveitou para fazer uma brincadeira sobre as críticas que recebe em relação às escalações.

“Sempre existe um pessoal esperando para me julgar na escalação e me fazer parecer um palhaço quando vencemos. Estou muito satisfeito. Ganhar é sempre ótimo, e hoje conseguimos isso com personalidade e qualidade”, afirmou.

O técnico também respondeu a Ciro Ferrara, que havia recordado o período em que Gasperini iniciou sua trajetória na formação de jovens jogadores da Juventus. O comandante elogiou aquela geração e destacou a força do futebol italiano na época.

“Vocês eram uma equipe incrível. Aprendi muito observando os treinamentos de vocês. O futebol italiano era muito forte naquele período. Era uma grande escola”, comentou.

Com a pausa no calendário, o treinador espera encontrar o elenco nas mesmas condições em que o deixou. Gasperini, porém, lamentou a quantidade de jogadores que deixam o clube para compromissos internacionais, especialmente quando se trata de amistosos ou partidas que considera menos importantes.

“Espero encontrar a equipe da mesma maneira que a deixei. Esta pausa interrompe novamente o campeonato, embora desta vez seja apenas por uma semana. Gosto dos jogos internacionais quando existe algo importante em disputa. É decepcionante perder tantos jogadores para amistosos ou partidas sem importância, embora vestir a camisa da seleção seja sempre um marco na carreira de um jogador”, declarou.

Outro assunto abordado foi a sequência de nove partidas disputadas em apenas 27 dias. Gasperini explicou que a quantidade de compromissos exigiu uma gestão cuidadosa do elenco, mas considerou que a oportunidade de dar minutos a diferentes jogadores também trouxe benefícios.

“É difícil disputar nove partidas em 27 dias. Tivemos confrontos complicados contra Como, Napoli, Manchester United e Real Madrid. A gestão não foi um problema, porque conseguimos rodar todo o elenco e todos tiveram a oportunidade de jogar várias vezes. Isso também foi positivo, pois permitiu que todos acumulassem experiência”, avaliou.

Na sequência, o treinador apontou as lesões como sua principal preocupação. Ele citou os desfalques de Svilar, Cristante, Dybala, Koné e Pellegrini e reconheceu que, apesar de considerar o grupo competitivo, a Roma não possui um dos elencos mais numerosos.

“O problema são as lesões. Tivemos Svilar fora por nove jogos, Cristante no início, Dybala, Koné, que voltou hoje, e agora perdemos Pellegrini. Nosso elenco é competitivo, mas numericamente não está entre os maiores. Tivemos algumas lesões em jogadores importantes, mas não foram tantas, no máximo três ou quatro”, completou.

### Gasperini fala sobre evolução e reforços para janeiro

Na entrevista coletiva, Gasperini foi questionado sobre os aspectos que ainda podem evoluir na Roma. O treinador afirmou que o trabalho passa pela correção de algumas falhas, mas demonstrou satisfação com o futebol apresentado pelo time e com a identificação criada junto aos torcedores.

“Estou sempre presente, como em tudo. Agora estamos tentando eliminar algumas das nossas falhas, embora tenhamos cometido poucas nesta noite. Talvez tenhamos desperdiçado algumas oportunidades a mais. Precisamos estar satisfeitos com o futebol desta equipe. Isso proporciona satisfação aos torcedores e, para nós, esse é o objetivo, independentemente dos resultados. As pessoas se identificam com este time”, declarou.

O técnico também foi perguntado se considera a atual Roma a equipe mais forte que já comandou. Sem estabelecer comparações com seus trabalhos anteriores, destacou as características do elenco e as possibilidades de evolução ao longo da temporada.

“Bem, tive azar. Este é um time forte e diferente. Não posso fazer comparações. Acredito que temos muitos aspectos positivos nesta temporada que nos permitem melhorar nosso desempenho, inclusive individualmente. Nosso objetivo é simplesmente evoluir”, respondeu.

A possibilidade de reforçar o elenco durante a janela de transferências de janeiro também entrou em pauta. Gasperini evitou antecipar movimentações e afirmou que, neste momento, sua prioridade está concentrada na recuperação dos jogadores lesionados. O treinador, entretanto, reconheceu a necessidade de ampliar as opções ofensivas.

“Não sei. Neste momento, estou pensando no campeonato. Minha preocupação é recuperar nossos jogadores, porque está claro que não temos tantas alternativas no ataque. Faremos o que estiver ao nosso alcance em janeiro, mas ainda não conversamos sobre isso”, explicou.

Outro tema foi o retorno de Koné, que voltou a atuar após ficar afastado por sete partidas. Gasperini confirmou que estaria em Gênova no dia seguinte, às 18h, para participar de uma premiação, e aproveitou para falar sobre a importância do meio-campista para a equipe.

“Estarei em Gênova para uma premiação. Estou feliz em voltar, porque morei lá durante muitos anos”, comentou, em tom descontraído.

Sobre o retorno de Koné, acrescentou: “Estamos muito felizes, porque sentimos bastante a falta dele. Ficamos sem o jogador durante sete partidas, e ele teria sido muito útil, assim como Svilar, Dybala, Pellegrini e Cristante no início. Quando observamos outras equipes, tivemos mais azar com as lesões. Nesse ritmo, porém, você perde muitos jogos, e a situação fica complicada”.

Por fim, Gasperini explicou por que Koné não havia sido convocado por Zidane. Segundo o treinador, a situação do jogador ainda era incerta até a tarde anterior à partida, mas sua recuperação permitiu que voltasse a integrar o grupo e recebesse minutos em campo.

“Estávamos em dúvida até ontem à tarde. Ele se juntou ao grupo ontem e estava jogando muito bem. De Roon e Cristante sempre atuavam, e Pisilli também tinha bastante participação. Koné queria jogar, e nós permitimos. Depois disso, a França realizou suas convocações”, concluiu.

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