Texto por Colaborador: A. Rother 02/09/2026 - 17:40

Em sua primeira coletiva de imprensa à frente da diretoria de futebol da Roma, Tony D'Amico fez um balanço detalhado da janela de transferências europeia, abordando desde as restrições impostas pela UEFA até os planos para janeiro.

O dirigente começou reforçando que o clube precisou lidar com limitações financeiras determinadas pela entidade europeia. "Sabíamos das restrições, sabíamos dos nossos objetivos e do que precisava ser feito. Conseguimos, em parte, reduzir a folha salarial em cerca de 15%. As estratégias mudam com frequência durante a janela: não se trata apenas de valores de transferência, mas também de salários e outros detalhes difíceis de resolver hoje", explicou.

Ao fazer uma primeira leitura do mercado, D'Amico preferiu deixar as conclusões definitivas para o fim do ano. Ele destacou a satisfação com as renovações contratuais logo no início de sua gestão, citando Dybala, Pellegrini, Mancini e Cristante como peças fundamentais que a Roma conseguiu manter, apesar de a diretoria anterior ter planos diferentes para o elenco. "São jogadores importantes, parte do núcleo histórico. Quero agradecer a eles, porque foi graças à vontade deles de permanecer que chegamos a um acordo", afirmou, acrescentando que avaliará os resultados concretos apenas ao final da temporada.

Sobre as novas contratações, o dirigente disse estar satisfeito com quem chegou: atletas escolhidos pelo clube e que realmente desejavam vestir a camisa romana. "Outros jogadores até quiseram vir, mas não encontramos o encaixe certo. Muito poucos recusaram a Roma", comentou.

Questionado sobre a posição de ponta esquerda, D'Amico explicou que, à sua chegada, reforçar o ataque era prioridade, mas que as prioridades precisam ser contextualizadas dentro das negociações, muitas vezes conduzidas em paralelo. "Não movimentamos nenhuma quantia pequena. Rodrigo Mora está disponível e pode atuar como ponta. Quando digo contextualizar, quero dizer que, enquanto perseguíamos Summerville, também acompanhávamos outros nomes que depois chegaram, como Castro. Estávamos fortes nos dois casos: conseguimos fechar com um e não com o outro por uma questão de timing. Tínhamos interesse nos dois perfis", detalhou.

Sobre o tamanho do elenco, o dirigente reconheceu que a Roma pode estar um pouco curta numericamente diante da exigência de disputar três competições, com destaque para o desgaste físico e mental que a Liga dos Campeões impõe. "Numericamente, podemos estar um pouco apertados, mas confiamos que em janeiro conseguiremos identificar mais alguns perfis. Falando com realismo, nos falta um jogador. Vamos avaliar os agentes livres mais adiante", disse, reafirmando confiança de que as lacunas serão resolvidas na janela de inverno.

D'Amico também comentou a saída de Celik, revelando que Pellegrini foi o primeiro atleta com quem conversou. Segundo ele, o meio-campista é extremamente ligado à camisa da Roma, e nunca houve dúvidas de que ele poderia deixar o clube como aconteceu com o lateral turco. Já a comunicação com Celik foi mais complicada, já que o jogador estava disputando a Copa do Mundo: a renovação chegou a ser selada, mas o atleta mudou de ideia posteriormente.

O dirigente relembrou ainda os passos que o trouxeram à capital italiana. Sua chegada a Roma começou no momento em que a Atalanta comunicou sua saída do clube bergamasco. Ele afirma ter encontrado uma instituição sólida e com grande disponibilidade para trabalhar, ainda que o acordo com a UEFA limite algumas de suas opções no mercado. Para D'Amico, assim como os jogadores, os dirigentes também precisam de tempo para se adaptar. Sobre sua nova experiência profissional, ele definiu como uma grande honra iniciar seu trabalho justamente no ano do centenário do clube: "Agora, para mim, só existe a Roma."

Já nas últimas horas da janela, o dirigente admitiu que algumas negociações não avançaram por diferentes motivos. Leweling, segundo ele, teve receios e, naquele momento, as tratativas foram interrompidas. As alternativas encontradas depois não agradaram plenamente à diretoria. Já com Luiz Henrique, a Roma enfrentou entraves tanto técnicos quanto burocráticos.

Sobre a estratégia geral de contratações, D'Amico explicou que o clube investiu tanto em jovens promessas quanto em jogadores prontos, na tentativa de ampliar o grupo de atletas de confiança, algo que a diretoria acredita poder fazer diferença ao longo da temporada. Segundo ele, a Roma não estabelece metas específicas para si: "A Roma será a Roma."

Por fim, o dirigente traçou um objetivo pessoal: conduzir a Roma à Liga dos Campeões. Ao comparar sua trajetória entre Bergamo e a capital italiana, ele destacou que Roma e Atalanta são clubes diferentes, com torcidas e realidades distintas, mas ambos movidos por grandes ambições, como qualquer clube de futebol. "Lá, eles conquistaram novamente a Liga dos Campeões no ano passado. Agora eu quero vencê-la aqui também", concluiu.

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