Texto por Colaborador: A. Rother 20/09/2026 - 04:00

A Inter arrancou um empate diante da Roma depois de sair perdendo por 2 a 0, e o assunto pós-jogo foi justamente essa reação. Em entrevistas à DAZN e na coletiva, o atacante Marcus Thuram e o técnico Cristian Chivu deram suas versões sobre uma partida de dois tempos bem diferentes.

Thuram começou dando crédito ao adversário. Para o francês, "a Roma fez um primeiro tempo fantástico. Está entre as mais fortes neste momento". Questionado sobre o que mudou no segundo tempo, quando a Inter apareceu com outra cara, foi sincero: "Não sei por quê, não sei dar uma resposta. Mas precisávamos reagir e fizemos isso desde que voltamos no segundo tempo." Sobre o que passa pela cabeça do grupo quando está perdendo por 2 a 0 e precisa buscar a virada, respondeu: "Sabemos que estamos atrás e que precisamos fazer de tudo para retomar a partida."

Perguntaram ainda se a Inter entra mal nos jogos por saber que é forte, subestimando o começo das partidas. Thuram discordou: "Não acho, todos sabíamos que a Roma está entre as equipes mais fortes neste momento e que fez um início de campeonato extraordinário. Queríamos abordar o jogo do jeito certo, mas a Roma fez um primeiro tempo fantástico. Depois precisávamos reagir e fizemos isso."

Sobre a ausência na convocação da seleção, o jogador foi respeitoso: "São escolhas, temos que respeitá-las. Há um novo treinador, ele quis ver caras novas. Preciso continuar trabalhando e fazer o que venho fazendo na Inter, esperando poder reencontrá-la." Thuram contou que também deu conselhos a Diouf: "Sim, eu disse a ele com quem conversar e com quem não conversar."

Quando lhe perguntaram se Chivu pediu algo diferente no segundo tempo, como abrir mais o time em campo, o atacante explicou: "O treinador nos pediu, já tinha pedido no primeiro tempo também. Era o plano de jogo, mas fizemos melhor no segundo tempo." Ao ser questionado se a Thu-La tinha voltado de vez, cortou: "Nunca tinha ido embora, estávamos aqui também no ano passado." Já sobre a chance no fim do jogo, quando pegou Svilar no contrapé, disse: "Ainda não revi, vi que ele foi para um lado e quis chutar para o outro."

Na entrevista coletiva, Thuram foi perguntado sobre o que aconteceu no vestiário no intervalo: "Dissemos algumas coisas, que precisávamos reagir." Sobre sua condição física, admitiu: "Ainda não estou a 100%, tenho dificuldade para terminar os jogos como esta noite, mas aos poucos estou recuperando as pernas." Pedido a definir Lautaro em uma palavra, resumiu: "Ele é um dos melhores do mundo, é o nosso capitão e nosso líder, nos salvou de novo esta noite."

Chivu costuma dizer que o time precisa agir e não reagir. Mas, ao contrário do jogo contra a Udinese, desta vez a Roma também merece crédito, e Thuram reconheceu: "Os times podem fazer grandes jogos, não existe só a Inter em campo. O primeiro tempo da Roma foi espetacular, fantástico, eles iam muito forte, e não encontrávamos soluções em campo." Por fim, veio a pergunta sobre a quarta partida seguida em que a Inter ficou atrás por 2 a 0, e se seria coincidência. Thuram foi direto: "Não, tem algo a acertar. Não sei o quê, ficar atrás quatro jogos seguidos quer dizer que temos que acertar algo e vamos fazer isso."

Chivu, por sua vez, fez questão de deixar um assunto de fora logo de saída: "O que eu tinha que dizer sobre o primeiro tempo eu disse no intervalo e isso fica no vestiário, entre mim e os jogadores. Foi uma bela partida, contra uma equipe forte e em um campo onde não é fácil jogar."

Questionado sobre a entrada novamente difícil da equipe e o desejo de retomar o jogo logo no início da segunda etapa, o treinador explicou: "Parto do segundo tempo, o que eu tinha que dizer sobre o primeiro tempo eu disse no intervalo e isso fica no vestiário, entre mim e os jogadores. No segundo tempo, em atitude, garra, qualidade e personalidade, fizemos uma grande partida contra uma grande equipe. Sabíamos o que a Roma representava. Foi uma bela partida, no segundo tempo mostramos algo a mais em relação ao início da temporada. Eu partiria disso. Vamos trabalhar para aparar certas arestas que ficam entre mim e eles. Foi uma bela partida, contra uma equipe forte e em um campo onde não é fácil jogar."

Perguntaram como a equipe consegue ser tão forte a ponto de apagar um 0 a 2. Chivu respondeu: "É preciso recomeçar por aí, é preciso fazer melhor na hora de abordar os jogos. Não pretendo superar o que o adversário faz, mas pelo menos igualar a intensidade... Acontece, a gente aprende e segue em frente. Em relação ao ano passado, neste ponto da temporada estamos bem. No ano passado estávamos um pouquinho pior e neste ano enfrentamos dois confrontos diretos, contra Napoli e Roma. Os 13 pontos são um bom resultado, mas sabemos que há muito caminho pela frente e muitas coisas para trabalhar. Levo o que de bom foi feito no segundo tempo."

O técnico estava especialmente emocionado no minuto de silêncio em homenagem a Mazzola, que lhe pedira mais um Scudetto e pedira a Lautaro a Champions. Perguntado se isso poderia virar uma promessa, Chivu falou apenas sobre a perda: "Me uno ao mundo do futebol nas condolências. Perdemos um ícone do futebol e da Inter, uma lenda para a Itália e para o mundo. Enviamos condolências à família, sentimos muito."

Sobre os motivos do primeiro tempo, se envolviam motivação, a percepção que o time tem de si mesmo ou outra coisa, ele foi categórico: "Repito, o que eu disse no vestiário fica lá. Não digo certas coisas. Estamos cientes do que não fizemos no primeiro tempo. No futebol, a bola ou você tem ou não tem, precisamos melhorar quando não a temos." Chivu também foi lembrado de que é o treinador mais rápido da história da Inter a chegar aos 100 pontos. A resposta foi curta: "São números, a gente segue em frente."

Na entrevista coletiva, o comandante nerazzurro ouviu que parecia um filme já visto, mas que de novo houve uma grande reação. Ele respondeu: "Começaria por essa, pela reação, a partida dura 100 minutos e é preciso abordá-la da maneira correta e certa. É preciso agir e não reagir, mas enfrentamos uma ótima equipe em um campo nada simples. Sabemos que eles podem te colocar em dificuldade, é preciso fazer as duas fases e melhorar em tudo." Diante da pergunta sobre o problema de ter ficado quatro vezes atrás por dois gols, disse: "Eu disse no intervalo, antes e depois à equipe, mas partiria da reação. Espero que todos tenhamos entendido o que precisamos fazer."

Aos 90 minutos, Chivu trocou os dois atacantes, o que é uma demonstração de confiança para quem entrou com a partida em jogo. Ele comentou: "Esses são os elencos, é isso que se entende quando falamos de quem entra e o quanto podem ser determinantes. Não sei se poderíamos ter feito as trocas antes, Lautaro e Thuram mesmo depois do 2 a 2 tinham algo, têm experiência. Mas levo as atuações dos garotos que entram, enquanto tirarem o melhor de si eu os levo e parabenizo a todos. No intervalo precisamos de todos e eles mostraram isso com a reação do segundo tempo."

Martinez foi muito criticado, mas também salvou o time. Perguntado sobre a avaliação de Jones, o técnico foi breve e evitou apontar nomes: "Como todos, poderia e deveria ter feito melhor. Não vou nos indivíduos, mas analiso sempre o contexto da equipe, inclusive as minhas escolhas. O caminho é longo, há muito a fazer, tanto quando temos a bola quanto quando não temos. Estou confiante, todos sabemos o que não funcionou, são coisas e pequenos detalhes que certamente não vão se repetir."

Chivu ainda foi questionado se essa capacidade de reagir pode ser uma faca de dois gumes, com o time entrando em campo com a atitude errada. Ele rebateu: "Não acho que alguém entre em campo dizendo 'depois a gente faz gol de qualquer jeito'. É preciso entender que o futebol tem duas fases, quando se tem a bola e quando não se tem, me refiro à vontade de vencer os duelos, à intensidade. Mas não era simples, não devemos nem nos surpreender com o que a Roma fez, em qualidade e também em estrutura física. Não devemos esperar para reagir, devemos agir desde o início, podemos fazer certo tipo de jogo desde já, mesmo que possamos não parecer tão ferozes. Mostramos isso quando ficamos atrás, mas é preciso fazer isso desde o começo."

Por fim, comentaram que o jogo não faria feio na Premier League. O treinador concordou com o espírito da observação: "Ultimamente melhorou a intensidade, a qualidade, joga-se de forma mais aberta. Há momentos em um jogo em que você respira um pouco, e talvez depois tenha de recuar. Mas o que vejo me agrada, está mudando a forma de atacar. Depois é óbvio que existem as considerações de sempre, de que se sofre demais. Mas é justo fazer essas perguntas, no futebol também é preciso equilíbrio, levar a partida a bom termo de acordo com suas ambições e seus objetivos. O que vejo me agrada. Estas novas regras deram mais vivacidade, tiraram os tempos mortos em que alguém pensava em recuperar o fôlego, hoje se retoma logo, aliás sofremos reposições rápidas da Roma. Estamos no caminho certo, é preciso também aceitar que um jogo poderá terminar 4 a 4, 5 a 3, bonito. Depois cabe a nós treinadores acertar as coisas, mas gosto do que vejo."