Reprodução TIFFA derrota por 5 a 0 para a Inter deixou mais do que uma goleada no currículo da Roma. Deixou exposta uma ferida que o clube carrega há anos: a ausência de alguém que bata o punho na mesa. Quem avise o presidente, aponta Piero Torri, em La Repubblica.
Houve um tempo — não muito distante — em que a Roma tinha a melhor defesa do campeonato. Svilar defendia o que parecia indefensável. Mancini liderava com voz e garra. Ndicka transmitia solidez. Hermoso havia reencontrado o seu melhor futebol. Ghilardi prometia, Ziolkowski crescia, e a dupla Koné — cuja falta hoje pesa demais — e Cristante blindavam o meio. Os atacantes eram os primeiros a defender.
Os números contam outra história agora. No primeiro turno do campeonato, foram apenas 12 gols sofridos em 19 partidas. No returno, já são 16 em apenas 12 jogos. A defesa que foi orgulho do clube simplesmente deixou de existir. A noite de San Siro, com cinco gols levados em menos de uma hora, foi o retrato mais cruel dessa transformação — ainda que o placar pudesse ter sido ainda mais elástico. Uma virada de jogo que começou no último segundo do primeiro tempo, com um chute de Calhanoglu que desafiou as leis da física.
É a terceira derrota nas últimas quatro rodadas. E o que parecia um objetivo concreto — voltar à Champions League depois de seis anos de ausência — começa a se transformar em utopia. Mais preocupante do que isso, porém, é o risco de que essa sequência ruim sufoque tudo o que a Roma vinha construindo sob o comando de Gian Piero Gasperini, cujo contrato prevê ao menos três temporadas à frente do clube.
Haverá paciência para respeitar esse projeto? Ou a Roma voltará a girar o botão do reinício, como faz há anos toda vez que os resultados apertam? A dúvida não é pessimismo gratuito — é história se repetindo. O clube nunca conseguiu manter a calma nos momentos difíceis e sustentar um projeto a longo prazo.
O ambiente interno tampouco ajuda. Há um treinador que reclama por hábito e não esconde que sua lealdade vai diretamente à propriedade. Há um Claudio Ranieri que, se pudesse voltar atrás, não escolheria o mesmo substituto vindo de Bérgamo. Há um diretor esportivo empurrado de um lado para o outro. E, no centro de tudo, uma propriedade ausente e sem intimidade com o futebol que, mesmo depois de seis anos em Roma, ainda não entendeu que um clube de futebol é radicalmente diferente de qualquer outra empresa.
É precisamente aí que mora o problema central. A Roma não tem um grande chefe — alguém no estilo de Marotta na Inter ou De Laurentiis no Napoli — capaz de impor autoridade quando necessário, apontar o caminho, chamar à razão quem coloca o interesse próprio acima do clube e costurar as divergências internas que, nesta temporada, foram numerosas e custosas. Alguém já disse isso ao sr. Dan Friedkin? E se disseram, tudo indica que a mensagem não foi compreendida.
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