Reprodução SportiumFUNRadja Nainggolan voltou a falar. Em uma longa entrevista concedida ao Sportium.fun, o ex-meia belga abriu o coração e não poupou detalhes sobre sua passagem pela Roma, sua relação com treinadores e dirigentes, e os bastidores de uma carreira marcada por personalidade e polêmica.
Um dos episódios mais curiosos envolve Luciano Spalletti, que chegou a mantê-lo hospedado no centro de treinamento de Trigoria durante uma semana. "Sim, ele me manteve lá. Não me lembro exatamente do motivo — talvez uma partida importante ou uma punição. Ele me disse: 'Agora você vai dormir aqui essa semana porque não quero que você saia'. Ele dormia no quarto ao lado e vinha toda noite, até as dez e meia, conferir se eu estava no quarto, porque tinha medo que eu fugisse. Depois joguei mal", relatou Nainggolan, com bom humor. Apesar do episódio, o belga elege Spalletti como o melhor treinador que teve, seguido por Pioli — que o revelou no Piacenza — e Mario Somma, destacando ainda Di Francesco e Garcia. Sobre o técnico francês, disse ter um ótimo relacionamento: "Ele é um cavalheiro. Agora treina a seleção belga. Na minha opinião, o cargo de selecionador é o ideal para ele".
Aos questionamentos sobre seu nível técnico, o meia não foi modesto. Ao ser indagado se era o melhor do campeonato italiano na época em que marcou dois gols contra a Inter, ele afirmou se considerar um dos melhores. E completou dizendo que ainda hoje, ao jogar com garotos de 20 anos, se sente superior apesar da diferença de velocidade. Sobre Pogba, foi direto: "Era mais forte do que ele — não porque Pogba seja ruim, mas porque ele só teve três bons anos de carreira". O único jogador que ele colocou no mesmo patamar foi Vidal, na época em que o chileno atuava pela Juventus: "Era um jogador fortíssimo naquele período. Tínhamos boas batalhas. Éramos os melhores do campeonato".
Os gols mais bonitos da carreira? Nainggolan escolheu três: um de primeira pelo Cagliari contra a Spal, outro pela seleção belga contra Gales na Eurocopa e uma meia-bicicleta contra o Genoa.
A saída da Roma foi um capítulo doloroso, e o motivo tem nome: Monchi. O ex-meia explicou que a chegada do diretor esportivo espanhol mudou tudo. "Como pessoa, sou alguém que precisa estar bem consigo mesmo todos os dias. Nunca tive problemas em dizer o que penso. Eu poderia ter ficado, mas chegou o diretor Monchi, que queria montar o time dele — porque o gênio de Sevilha achava que podia construir na Itália um time do jeito que quisesse. Ele queria vender todos os jogadores de Sabatini. Quando soube disso, disse a ele que seria eu quem decidiria para onde iria. Poderia ter ficado, mas disse a ele que não conseguiria cumprimentá-lo todos os dias. Ainda sinto muito carinho dos torcedores da Roma. A Inter era um time onde sempre quis jogar. Quando me perguntaram se estava feliz na Inter, respondi que estava mais triste por ter saído da Roma".
A relação com De Rossi também ganhou destaque. Nainggolan descreveu o ex-capitão como um dos maiores com quem jogou — e foi além. Quando De Rossi assumiu o comando técnico da Spal, o belga não hesitou em aceitar o convite para reforçar o clube, mesmo representando um passo atrás na carreira. "Fui à Spal por ele, não porque quisesse cair de divisão. Por ele e por Sabatini, que é uma pessoa excepcional. Me disse para ir dar uma mão. Tenho muito carinho por Sabatini. Só que a história não saiu como queríamos — Daniele foi demitido dez dias depois e eu fiquei lá sozinho. Daniele é alguém que me deu muito, então quando pude retribuir, o fiz. Faz parte de quem eu sou. Com quem me dá muito, sempre tentarei retribuir".
Sobre Totti e De Rossi, o belga relembrou com afeto: "De Rossi foi um dos mais fortes com quem joguei. Formávamos um meio-campo completo. Com ele tive uma bela relação. Francesco não aparecia muito fora de campo, mas tínhamos um relacionamento muito bonito".
Após a morte da mãe, Nainggolan marcou um dos gols mais importantes da carreira — e a emoção veio à tona. "Foi a primeira vez que me emocionei em campo. Meu sonho era vê-la orgulhosa de todo o esforço que fez para me levar tão longe, e ela não pôde vivenciar isso. Mas sei que ela estaria orgulhosa do homem que me tornei, antes mesmo do jogador".
Questionado sobre planos pós-futebol, o belga revelou que ainda joga — mas já pensa em tirar o diploma de treinador. "Vendo o que existe por aí, acredito que posso ser treinador", afirmou. Quanto às ex-companheiras de jogo, disse manter contato com muitos do tempo de Piacenza, com quem ainda se encontra com frequência.
Fiel à sua personalidade combativa, Nainggolan não fugiu do tema arbitragem e Juventus. Ele contou que viveu na pele os episódios de favorecimentos ao clube de Turim — citando um pênalti inexistente na inauguração do Allianz Stadium, quando ainda jogava pelo Cagliari, e dois pênaltis marcados fora da área em uma partida pela Roma no mesmo estádio. "Todo mundo viu, é a verdade — só que nem todos conseguem dizê-la. É daí que vem essa sensação". Sobre o VAR, foi categórico: "O futebol tem que voltar a ser como era antes. Se os erros continuam com o VAR, então é melhor acabar com ele e deixar os árbitros errarem normalmente. O futebol de verdade é outro, não é esse. Futebol é um esporte de contato. Não existe mais a malandragem. O VAR mudou e está limitando o futebol".
Por fim, Nainggolan reafirmou sua declaração de que um título pelo Roma vale mais do que dez pela Juventus. Para ele, a explicação é simples: "Sempre gostei de Football Manager e nunca escolhia o time mais forte. Fui para um clube como a Roma, que foi a história mais bonita da minha carreira. Eu queria brigar contra a Juventus. Nos cinco anos em que fiquei, brigamos. Mas, olhando os números, a Roma fez 87 pontos, a Juve 92; no ano seguinte, nós 82, eles 103... sempre faltava um pouquinho, porque a Juve era muito superior em tudo. Quando um clube como a Roma vencer o campeonato, será festa por vinte anos — enquanto na Juve você é obrigado a ganhar todo ano. É um sentimento completamente diferente".
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