Texto por Colaborador: A. Rother 05/04/2026 - 03:00

Na véspera do confronto entre Inter de Milão e Roma, válido pela 31ª rodada do Campeonato Italiano, Gian Piero Gasperini concedeu entrevista à DAZN e abordou temas que vão do cenário da seleção italiana aos planos do clube para o restante da temporada.

O treinador não esquivou quando perguntado sobre a derrota da Itália na Bósnia, que encerrou o sonho de disputar a Copa do Mundo. "Como todos os italianos, com grande tristeza. Todos nós esperávamos poder jogar o Mundial neste verão, infelizmente não foi assim. É uma derrota para todos, não apenas para a equipe", disse. Sobre o estado emocional de Mancini,Cristante e Pisilli ao retornarem ao clube, Gasperini foi direto: afirmou que os jogadores estavam muito abatidos no dia seguinte, mas que as leis do esporte obrigam a olhar para frente e encarar os próximos objetivos.

Questionado sobre o que priorizar para reconstruir o futebol italiano, o técnico foi enfático ao apontar uma falha sistêmica. "Acredito que seja uma questão de sistema, não diz respeito a um presidente ou a um treinador. Nosso sistema neste momento não acredito que seja vencedor, nem na formação dos jogadores nem na da seleção. As coisas se repetiram ao longo do tempo. Não existe uma coisa só — há muitas coisas a rever por parte de todos os componentes desse esporte extraordinário, que tem uma base enorme de entusiasmo, de público e de garotos que jogam futebol. Se temos de ver algo de positivo, é isso: provavelmente é preciso trabalhar melhor em todos os aspectos", avaliou.

Sobre o desempenho da Roma nos confrontos diretos contra os adversários que estão à sua frente na tabela, Gasperini reconheceu o desconforto com os resultados, mas ressaltou a qualidade apresentada. No returno, disse, o time não perdeu nenhuma dessas partidas. "Com a Juventus estávamos na frente, com o Napoli e com o Milan também — deixaram um gosto amargo pelo resultado, mas se amanhã formos capazes de repetir aquele tipo de atuação, sem dúvida ficarei satisfeito", afirmou.

A oito rodadas do fim, o treinador destacou a evolução coletiva da equipe. "Adquirimos experiência, partidas, jogos. Desde o início da temporada somos um time que tem uma forma muito mais eficaz e conhecida de encarar as partidas. Esse grupo quase nunca falhou em termos de motivação e de desempenho", disse. Sobre a Inter, Gasperini foi cauteloso ao ser perguntado se os últimos resultados dos nerazzurri lhe traziam confiança: "Não, absolutamente — mas sem dúvida indicam que é uma equipe contra a qual se pode fazer resultado, já que outras também conseguiram."

Quando o assunto foi a corrida pela vaga na Champions League, Gasperini contextualizou o momento da Roma. "Não sei quantos pontos são suficientes, mas o simples fato de chegar a esse sprint final junto com a Juventus, um pouco atrás do Como — a equipe mais forte nessa briga — e da Atalanta… Algumas equipes se afastaram. É uma corrida restrita a essas equipes, e nós estamos dentro com todas as nossas forças e nossa vontade de ir em busca disso", declarou.

Ao ser questionado sobre se assinaria pelo desempenho atual no início da temporada, Gasperini foi honesto: "No início da temporada, provavelmente sim. Um mês atrás, esperávamos um pouco mais, sair de alguns jogos com mais pontos pelas atuações que fizemos. Mas acredito que o time sempre cumpriu com seu dever."

O técnico também comentou sobre a chegada de Malen em janeiro, admitindo que é difícil projetar onde a Roma estaria com ele desde o início. "Em janeiro foi, com certeza, um acréscimo muitíssimo importante para esse time. A prova disso é que o clube perdeu ao mesmo tempo Dovbyk, Ferguson, Dybala e SouléMalen deu um valor extra, mas algo perdemos com essas ausências."

Sobre a condição física de Soulé, Gasperini foi cauteloso antes de confirmar qualquer coisa. O jogador voltou a treinar com o grupo há duas semanas, depois de um longo período fora. "Na primeira semana foi mais ou menos, na segunda foi bem melhor. Mas certamente ainda não está totalmente recuperado." Já sobre Vaz, o treinador enxerga muito espaço para crescimento no jovem: "Com certeza tem muito a evoluir — é um garoto muito novo. Também não é fácil trocar de clube em janeiro e entrar num sistema completamente novo. Ele precisa crescer em muitos aspectos, mas o que fez neste último mês é, sem dúvida, uma bela evolução."

Pellegrini também foi destacado pelo treinador como um dos pilares da temporada. "Fez bem o ano todo, assim como tantos outros jogadores. Esse grupo foi muito impulsionador e útil para mim — sou muito grato a eles pelo trabalho que fizemos juntos até agora. Agora é o momento de tentar colher o máximo de todos esses meses", disse Gasperini.

Por fim, o treinador esclareceu sua relação com a sociedade e com a propriedade do clube. "Com a sociedade tenho uma ótima relação, em especial com os donos. Uma propriedade que, apesar do que se diz, colocou muitos recursos à disposição também neste ano, investindo muito como quase nunca me havia acontecido. Claro que eles também precisam lidar com gestões anteriores que condicionam o clube, e por isso precisamos trabalhar juntos para superar isso e colocar a sociedade no caminho mais sustentável possível — sem esquecer, porém, a necessidade de ter sempre um time melhor e mais competitivo", concluiu.

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